Mensagens mostram procurador preso discutindo como evitar registros 'na calada da noite' no Instituto Rio Metrópole, diz MP
Mensagens mostram procurador preso discutindo como evitar registros 'na calada da noite' no Instituto Rio Metrópole, diz MP Mensagens recuperadas do celular do...
Mensagens mostram procurador preso discutindo como evitar registros 'na calada da noite' no Instituto Rio Metrópole, diz MP Mensagens recuperadas do celular do ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM) Marcelo Lopes da Silva mostram, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), uma tentativa de controlar informações registradas no sistema oficial do governo e impedir que possíveis irregularidades chegassem a órgãos de fiscalização. Marcelo foi preso novamente nesta quarta-feira (16), na Lagoa, na Zona Sul do Rio. Ele já havia sido detido em julho, na primeira fase da Operação Ouroboros, mas teve a prisão preventiva revogada após um habeas corpus. A nova prisão foi determinada pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital depois que a análise do celular apreendido revelou novos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-procurador está no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia estadual responsável por executar políticas e projetos de interesse da Região Metropolitana do Rio. À frente da Procuradoria do órgão, Marcelo analisava juridicamente contratos e outros atos administrativos. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), do MPRJ, porém, ele teria usado a função para dar aparência de legalidade a atos do esquema investigado. “O Marcelo tinha conhecimento da operação ilícita, fazia parte dessa operação e tomava proveito material dessa operação. A função dele nesse esquema era dar uma aparência de licitude a todo o arranjo criminoso”, afirmou o promotor Décio Alonso, do GAESF. Mensagens sobre contrato Uma das conversas destacadas pelos investigadores envolve Marcelo e o então presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, que também está preso e foi denunciado pelo MP. Em 3 de junho de 2026, quando a gestão do instituto já era alvo de investigação, Didê demonstrou pressa para que Marcelo autorizasse a renovação de um contrato relacionado a obras de pavimentação. Na conversa, Didê disse que havia sido informado de que deixaria a presidência do IRM e pediu que um funcionário levasse a Marcelo a renovação do contrato para que ele assinasse antes de sua saída. Horas depois, às 22h39, Marcelo respondeu que seria melhor colocar o documento no sistema na manhã seguinte, durante o horário de expediente. “Vai ser melhor colocar amanhã de manhã, durante o horário do expediente. Se colocar agora vai parecer que estamos fazendo na calada da noite”, escreveu o procurador, segundo o MP. Didê respondeu: “Coloca amanhã”. Para os investigadores, a escolha do horário teria sido feita para evitar que o registro no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) indicasse uma atuação clandestina. 'Como bota parecer no SEI sem falar comigo?' Em outra conversa, Didê questionou a inclusão de um parecer no SEI sem que ele tivesse sido consultado. “Quem mandou vocês subirem parecer contra minha vontade? Fala comigo antes. Como bota parecer no SEI sem falar comigo, cara?”, escreveu o então presidente do instituto, segundo o MP. Marcelo respondeu que não seria possível atender ao pedido de decidir previamente o que poderia ou não ser registrado. “Você pediu para decidir se podia ou não e não dá. Tem que licitar, não tem jeito”, respondeu o procurador. Na sequência, Marcelo mencionou que “o TI pode tirar o parecer”. Segundo os investigadores, a referência seria a funcionários da área de tecnologia da informação que poderiam retirar documentos do sistema sem deixar rastros. O MPRJ afirma que as mensagens encontradas no celular também indicam que Marcelo atuava para liberar pareceres de interesse do grupo, interferir em documentos inseridos no SEI e evitar que determinadas questões fossem encaminhadas a órgãos externos de controle. Em outra conversa, ao tratar de um caso que poderia chegar à Procuradoria-Geral do Estado, ele teria escrito: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”. Nova prisão Em mais uma fase da operação Ouroboros, os promotores do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do Ministério Público do Rio, voltaram a prender na manhã desta quarta-feira (16) o procurador do estado Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM). Segundo o MP, que na investigação contou com o apoio do Palácio Guanabara, o esquema de corrupção era baseado em contratos irregulares que somam R$ 86 milhões. A volta de Marcelo à cadeia foi baseada em conversas obtidas a partir da análise dos dados dos telefones de Marcelo, Didê e do delegado Franquis Dias Nepomuceno, ex-diretor do IRM, autorizadas pela Justiça. Com as novas informações, os investigadores descobriram que Thays Pinho Carneiro da Silva, então namorada de Marcelo, abriu uma microempresa para viabilizar pagamentos ao procurador, em maio de 2024. O procurador do estado Marcelo Lopes da Silva Reprodução/TV Globo Segundo o MP, a microempresa individual de Thays foi contratada pela Engeconsult Consultores Técnicos Ltda para prestar serviços administrativos em março de 2024, dois meses antes de ser aberta. Marcelo teria recebido diretamente R$ 30 mil, em seis parcelas de R$ 5 mil repassadas à MEI da sua então namorada. O esquema De acordo com as investigações, em licitações fraudulentas e direcionadas a partir de 2022, o IRM contratou a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria. Em seguida, a Engeconsult e a R Peotta celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio, para depositar parte dos valores recebidos do IRM. Esse dinheiro era posteriormente sacado da conta do Instituto Bio, sob a escolta da Rioforte. Outra ponta do esquema eram os aditivos feitos nos contratos. Só em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões. Classificada na denúncia como a “Mulher da Mala”, no dia 9 de janeiro, Caroline Soares Barros foi surpreendida por agentes da 110ª DP (Teresópolis) quando foi sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária daquele município, escoltada por funcionários da Rioforte. Ao todo, realizou 13 saques calculados em pouco mais de R$ 3 milhões. O que dizem os citados A defesa de Marcelo Lopes da Silva informou que não vai se pronunciar. A defesa de Davi Perini Vermelho, o Didê, disse que não teve acesso ao conteúdo das mensagens e repudiou “qualquer interpretação precipitada sem que o acusado possa exercer o contraditório”. Segundo a defesa, os contratos eram fiscalizados pelas diretorias do Instituto Rio Metrópole e também submetidos ao Tribunal de Contas do Estado. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.