Mudança climática dobrou chance de condições que alimentaram incêndios no Canadá, aponta estudo

Cidade de Toronto coberta pela fumaça de incêndios florestais em 15 de julho de 2026 Reuters/Kyaw Soe Oo As mudanças climáticas provocadas pela ação human...

Mudança climática dobrou chance de condições que alimentaram incêndios no Canadá, aponta estudo
Mudança climática dobrou chance de condições que alimentaram incêndios no Canadá, aponta estudo (Foto: Reprodução)

Cidade de Toronto coberta pela fumaça de incêndios florestais em 15 de julho de 2026 Reuters/Kyaw Soe Oo As mudanças climáticas provocadas pela ação humana tornaram cerca de duas vezes mais prováveis as condições extremas que favoreceram os recentes incêndios florestais no Canadá. Isso é o que aponta um novo estudo da World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de cientistas especializado em analisar a influência do aquecimento global em eventos extremos. A pesquisa analisou os incêndios em Ontário e nos Territórios do Noroeste, duas das áreas mais afetadas pelo fogo desde o início de julho. Milhares de pessoas precisaram deixar suas casas e milhões foram expostas a níveis perigosos de fumaça. Ao todo, mais de 3,8 milhões de hectares já foram queimados no Canadá neste ano — uma área equivalente a cerca de duas vezes o estado de Sergipe. Segundo os pesquisadores, o aquecimento global aumentou a ocorrência de períodos quentes e secos, que deixam a vegetação mais inflamável e facilitam tanto o avanço quanto a intensidade das chamas. 📝 Contexto: O estudo não analisou se a mudança climática iniciou diretamente cada incêndio. O fogo pode começar por diferentes causas, como raios ou ação humana. O que os cientistas investigaram foram as condições do tempo que permitem que as chamas cresçam rapidamente, se espalhem por grandes áreas e se tornem mais difíceis de controlar. Entre essas condições estão temperaturas elevadas, pouca umidade, falta de chuva e vegetação ressecada. Esse tipo de pesquisa é chamado de estudo rápido de atribuição. Ele compara o clima atual, já aquecido pela emissão de gases do efeito estufa, com um cenário hipotético sem a influência da queima de petróleo, carvão e gás. Agora no g1 No clima atual, condições tão favoráveis ao fogo podem ocorrer uma vez a cada dois a seis anos nos Territórios do Noroeste e a cada seis a 15 anos em Ontário. Sem a mudança climática, seriam esperadas menos de uma vez a cada 40 anos. Ao combinar registros meteorológicos e modelos, os pesquisadores concluíram que o aquecimento provocado pelo ser humano tornou esses episódios duas vezes ou mais prováveis. “Desde 2023, os incêndios que vimos em todo o Canadá têm sido fundamentalmente diferentes em escala e intensidade”, afirmou Theodore Keeping, pesquisador do Imperial College London. Segundo ele, os Territórios do Noroeste registraram uma atividade do fogo equivalente à do pior ano já observado para esta época, enquanto a área queimada no noroeste de Ontário já está perto do dobro do recorde anterior. Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram os períodos de sete e 30 dias com as condições mais severas para incêndios nas duas regiões. Também avaliaram as chuvas dos 24 meses anteriores e compararam o clima atual com simulações de um mundo sem o aquecimento causado pelas emissões humanas. A rápida propagação e a ocorrência simultânea de incêndios pressionaram as equipes de resposta, mesmo com o aumento dos investimentos em prevenção e combate. Segundo a WWA, comunidades indígenas foram afetadas de forma desproporcional e aparecem em maior número entre as populações retiradas de áreas de risco. "Vemos repetidamente os mesmos resultados: a mudança climática é um fator central por trás de incêndios de proporções inéditas e difíceis de controlar. Isso não deveria ser uma surpresa. A ciência é clara há décadas: a queima de combustíveis fósseis está tornando esses incêndios mais frequentes, mais intensos e mais difíceis de conter", afirmou Friederike Otto, professora de Ciência do Clima do Imperial College London. LEIA TAMBÉM: Com incêndios, mortes e rios em níveis críticos, Europa enfrenta sua 4ª onda de calor desde maio; entenda as causas Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta Planta carnívora confirma previsão feita por Darwin há 150 anos; entenda Fumaça de incêndios florestais no Canadá 'pinta' o céu de Nova York e prejudica o ar