Extremos em apenas 34 km: Limeira registra taxa de homicídios 5 vezes maior que Santa Bárbara d'Oeste, a 3ª menor do país
Santa Bárbara D'Oeste Reprodução Separados por apenas 34 quilômetros, Santa Bárbara d'Oeste e Limeira vivem realidades diferentes quando o assunto é viol...
Santa Bárbara D'Oeste Reprodução Separados por apenas 34 quilômetros, Santa Bárbara d'Oeste e Limeira vivem realidades diferentes quando o assunto é violência. Enquanto a primeira ostenta o terceiro menor índice de homicídios do Brasil, de acordo com o Atlas da Violência 2026, a segunda registra a maior taxa entre os municípios da área de cobertura da EPTV Campinas. Santa Bárbara d'Oeste apresenta taxa de 3,2 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto o índice chega a 16,3 em Limeira, cinco vezes maior. "[Santa Bárbara] é uma cidade privilegiada. Ter pouco [homicídio] registrado numa cidade mostra que a cidade é uma cidade melhor desenvolvida, com menos desajustes sociais, com uma urbanização melhor do que as outras cidades", avaliou Ruyrillo Magalhães, especialista em segurança pública. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apresenta dados referentes a 2024. Confira o índice de todas as cidades da área de cobertura do g1 Piracicaba: Santa Bárbara d'Oeste: Com 189 mil moradores, teve 6 homicídios e uma taxa de 3,2 assassinatos por 100 mil habitantes. Limeira: Apresentou uma taxa de 16,3 homicídios por 100 mil habitantes. Cidade tem 291 mil habitantes. Piracicaba: A taxa registrada foi de 8,9. Município tem 423 mil habitantes. Entenda o levantamento: Os pesquisadores consideram as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, e apenas as mortes oficialmente classificados como homícidio. Ou seja, não estão sendo considerados os homícidios ocultos. 🔎 Homicídios ocultos são as mortes violentas em que não foi possível identificar a causa– se ocorrereu devido um acidente, um suicídio ou se foi um homicídio, por exemplo. Estes óbitos são chamados tecnicamente de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Brasil registra menor número de homicídios da série histórica Por que a diferença? Segundo Ruyrillo Magalhães, a explicação para essa disparidade não está apenas na atuação policial, mas em fatores sociais que refletem diretamente na violência. "Os desajustes sociais acontecem exatamente por falta de emprego, por falta de entendimento entre as pessoas. As pessoas vivem em guetos, às vezes brigando entre elas. Então, isso acaba aumentando o número de homicídios", afirmou. Prevenção é desafio Segundo o especialista, taxas elevadas de homicídio como a de Limeira indicam a necessidade de uma ação de prevenção conjunta de vários setores do Estado. Ruyrillo explicou que não basta apenas apresentar estatísticas. "É preciso investigar as causas e verificar, homicídio por homicídio, o que houve para ver se consegue trabalhar evitando e prevenindo esse tipo de homicídio." O advogado reforça que essa é uma atuação conjunta de diferentes áreas. "Não é só a polícia, aí são os organismos todos de Estado, como educação, alimentação, desenvolvimento, emprego, meio ambiente. Tudo isso influencia em uma boa urbanização e com isso a cidade fica menos violenta", explicou. Parâmetro nacional Segundo o Atlas da Violência 2026, o Brasil registrou em 2024 a menor taxa de homicídios em 11 anos: foram 42.590 casos, o que equivale a 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes. A taxa caiu 7,4% em relação a 2023, quando houve 45.747 homicídios, representando uma redução absoluta de 6,9%. O levantamento destaca ainda que o estado de São Paulo possui a menor taxa oficial de homicídios do país, com 6,6 por 100 mil habitantes, e a terceira menor taxa considerando os homicídios estimados, com 12,8. Veja MAPA com os estados mais e menos violentos do Brasil, segundo o Atlas da Violência Infográfico para HOME - Mapa mostra taxa de homicídios no Brasil em 2024 por estados arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba