Ex-prefeito é suspeito de superfaturamento de R$ 807 mil em feira agropecuária no Acre

Ex-prefeito é denunciado por superfaturamento de mais de R$ 800 mil em feira agropecuária O ex-prefeito de Sena Madureira, no interior do Acre, Mazinho Serafi...

Ex-prefeito é suspeito de superfaturamento de R$ 807 mil em feira agropecuária no Acre
Ex-prefeito é suspeito de superfaturamento de R$ 807 mil em feira agropecuária no Acre (Foto: Reprodução)

Ex-prefeito é denunciado por superfaturamento de mais de R$ 800 mil em feira agropecuária O ex-prefeito de Sena Madureira, no interior do Acre, Mazinho Serafim, é alvo de mais uma ação civil pública por improbidade administrativa. Desta vez, o Ministério Público do Acre (MP-AC) questiona a contratação de três shows nacionais para a ExpoSena 2024 e aponta dano de R$ 807 mil aos cofres públicos, quando ele era o gestor municipal. De acordo com a ação, durante a feira, a prefeitura contratou os shows de Fernanda Brum, Batista Lima, ex-vocalista da Banda Limão com Mel e o cantor Paraná, ex-integrante da dupla Chico Rey e Paraná, no total de R$ 1,35 milhão. Contudo, os artistas comprovaram que receberam, juntos, R$ 543 mil. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Em nota ao g1, Mazinho Serafim negou que desviou recursos públicos "Não recebi qualquer vantagem indevida e não agi com a finalidade de beneficiar empresas ou terceiros", diz trecho. (Veja a nota completa mais abaixo) Ex-prefeito Mazinho Serafim é alvo de mais uma acusação do MP por improbidade administrativa Arquivo pessoal LEIA MAIS Ex-prefeito do interior do Acre é internado com incômodo na perna e passa por cirurgia Ex-prefeito e ex-secretária são condenados pelo TCU por irregularidades em compra de testes de Covid no AC Ex-prefeito do Acre é investigado por suspeita de improbidade administrativa Inceptio: Empresários e sócios investigados por tráfico e lavagem de dinheiro se tornam réus no Acre A ação também tem como réus o empresário Marck Johnnes da Silva Lisboa, que está preso e também contratou shows da Expoacre 2025 e a empresa DHS Cruz (Moon Club), que disse em nota que não foi formalmente notificada para prestar esclarecimentos quanto ao caso. (Veja mais abaixo) A reportagem não conseguiu contato com a atual defesa de Marck. A ação pede à Justiça o bloqueio de R$ 807 mil entre os réus. O órgão ainda defendeu a condenação dos citados e que haja o ressarcimento do dano. Entre as sanções solicitadas, está ainda a suspensão dos direitos políticos de Mazinho por até 12 anos. Para o MP, a diferença entre os valores caracteriza sobrepreço e superfaturamento, além de outras irregularidades no processo de contratação. Além disso, o MP-AC afirma que o empresário Marck Johnnes participou das tratativas e da organização dos shows nacionais. Ele também é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Inceptio, por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a denuncia do MP, há suspeita de que Douglas Henrique Silva da Cruz, que é primo de Marck e aparece formalmente como sócio da DHS Cruz Sociedade Ltda., seria apenas um sócio formal, enquanto Johnnes é um suposto sócio oculto do esquema. Marck Johnnes, investigado na Operação Inceptio, é réu com a empresa DHS Cruz Arquivo pessoal Irregularidades apontadas Segundo o processo, a empresa contratada não tinha atividade econômica compatível com a promoção de shows e apresentou documentos de exclusividade dos artistas considerados inválidos pelos investigadores. O processo também aponta ausência de pesquisa prévia de preços. Além disso, conforme a ação, houve o pagamento integral antecipado do R$ 1,35 milhão, cerca de dois meses antes da realização das apresentações. A diferença, de R$ 807 mil entre o valor pago e o total que os artistas receberam, é apontada pelo órgão como prejuízo aos cofres públicos. MP-AC também identificou indícios de que os custos com equipes de apoio dos artistas foram superfaturados Reprodução Durante a investigação, relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Núcleo de Apoio Técnico (NAT/MPAC) apontaram que os artistas apresentaram contratos, comprovantes de pagamentos e até conversas mantidas via WhatsApp. Veja quanto cada cantor recebeu abaixo: Paraná: R$ 500 mil pagos pela prefeitura; R$ 180 mil recebidos pelo artista; Batista Lima: R$ 500 mil pagos pela gestão municipal; R$ 210 mil recebidos pelo artista; Fernanda Brum: R$ 350 mil pagos por Sena Madureira; R$ 153 mil recebidos pela artista. O MP-AC também identificou indícios de que os custos com equipes de apoio dos artistas teriam sido superdimensionados, elevando artificialmente despesas relacionadas a passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Prefeitura pagou R$ 1,3 milhão pelas apresentações, mas os artistas comprovaram que receberam menos Foto: Arquivo pessoal Empresário investigado O empresário Marck Johnnes da Silva Lisboa, apontado pelo MP-AC como responsável pelas tratativas relacionadas aos shows nacionais, também é um dos investigados na Operação Inceptio, deflagrada pela Polícia Federal em setembro do ano passado. Além de Douglas Henrique, os irmãos de Marck John Muller Lisboa, Mayon Ricary Lisboa e o empresário André Borges, são investigados e tiveram denúncia recebida pela Justiça do Acre, conforme decisão à qual o g1 teve aceso à época. Além deles, outras nove pessoas também irão responder pelos crimes investigados na Operação Inceptio, que ocorreu em Rio Branco, Porto Velho (Rondônia), Ubaí (Minas Gerais), Camaçari, Ilhéus e Salvador, na Bahia, Cabedelo (Paraíba) e São Paulo (SP). "Os autos revelam que Marck desempenhou papel relevante na estrutura do grupo investigado, exercendo função de liderança e coordenação das atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro e tráfico de entorpecentes. Consta ainda habitualidade da conduta", citou a decisão assinada pelo juiz Alex Ferreira Oivane, da Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco. Marck Johnnes havia sido libertado da prisão em dezembro do ano passado com a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, contudo, voltou a ser preso. Já André Borges, foi solto dois após a operação mas teve a liberdade revogada em novembro, junto com Mayon Ricary. Empresário e sócios investigados na Operação Inceptio, que ocorreu no Acre e em outros estados Foto: Reprodução Nota de Mazinho Serafim Venho a público prestar esclarecimentos a respeito das notícias divulgadas sobre o ajuizamento de ação civil pública relacionada à realização da ExpoSena 2024. Inicialmente, é indispensável esclarecer que o ajuizamento de uma ação não representa condenação, tampouco comprovação definitiva das alegações formuladas. Trata-se de uma petição inicial, elaborada unilateralmente pelo órgão autor, cujos argumentos ainda serão submetidos ao contraditório, à ampla defesa e à análise imparcial do Poder Judiciário.Reafirmo que não desviei recursos públicos, não recebi qualquer vantagem indevida e não agi com a finalidade de beneficiar empresas ou terceiros. Minha defesa demonstrará no processo que a comparação apresentada na ação parte de uma premissa inadequada ao confrontar o valor global contratado pelo Município com os valores líquidos recebidos diretamente pelos artistas. Me causa preocupação que afirmações de tamanha gravidade sejam apresentadas publicamente como fatos definitivamente comprovados antes mesmo da manifestação da defesa e de qualquer pronunciamento judicial. Até o presente momento, não existe decisão condenatória que reconheça a prática de improbidade administrativa ou a existência de desvio de recursos. A defesa técnica examinará detalhadamente a petição inicial, os relatórios mencionados e toda a documentação utilizada na investigação, apresentando, no momento processual adequado, os esclarecimentos, documentos e provas necessários para demonstrar a regularidade da minha atuação como gestor. Respeito o Ministério Público, o Poder Judiciário e o trabalho das instituições de controle. Encontro-me tranquilo, à disposição das autoridades e confiante de que, assegurados o contraditório e a ampla defesa, os fatos serão devidamente esclarecidos. Por fim, reitera-se o respeito à liberdade de imprensa, solicitando-se apenas que as notícias distingam claramente alegações formuladas em uma ação judicial de fatos efetivamente reconhecidos por decisão da Justiça, preservando-se a presunção de inocência, a honra e a imagem das pessoas envolvidas. Sena Madureira/AC, 13 de agosto de 2026. Nota da DHS Cruz Em relação à notícia publicada sobre os contratos da ExpoSena 2024, esclarecemos que, até o presente momento, não fomos formalmente notificados para apresentar defesa ou prestar esclarecimentos no âmbito da ação mencionada. É importante destacar que os valores dos contratos de cachê artístico correspondem exclusivamente à contratação dos artistas. Despesas necessárias à realização dos shows, como passagens aéreas, hospedagem, transporte em vans e carros executivos e alimentação , são custos distintos, devidamente documentados e comprováveis. Dessa forma, estamos tranquilos e à disposição das autoridades competentes para apresentar todos os contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e demais documentos que demonstrem a regularidade das despesas. Também ressaltamos que não reconhecemos, neste momento, qualquer conclusão definitiva de irregularidade, uma vez que ainda teremos a oportunidade de apresentar nossa versão dos fatos e a documentação pertinente. Reafirmamos nosso compromisso com a transparência e com o esclarecimento integral dos fatos. D H S CRUZ Reveja os telejornais do Acre