Desemprego entre jovens sobe no mundo e já atinge 67 milhões; IA pode agravar cenário, diz OIT

Taxa de desemprego fica em 5,4%, em junho O desemprego entre os jovens aumentou no mundo em 2025, em meio ao crescimento econômico mais fraco, às tensões geo...

Desemprego entre jovens sobe no mundo e já atinge 67 milhões; IA pode agravar cenário, diz OIT
Desemprego entre jovens sobe no mundo e já atinge 67 milhões; IA pode agravar cenário, diz OIT (Foto: Reprodução)

Taxa de desemprego fica em 5,4%, em junho O desemprego entre os jovens aumentou no mundo em 2025, em meio ao crescimento econômico mais fraco, às tensões geopolíticas e à criação lenta de empregos. O cenário tem dificultado a entrada de jovens no mercado de trabalho e pode se agravar com os avanços da inteligência artificial (IA), alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (12), reportou a Reuters. A taxa global de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos subiu para 12,4% no ano passado, ante 12,3% em 2023. O percentual equivale a 67 milhões de jovens desempregados em todo o mundo, segundo um novo relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por questões trabalhistas. Segundo o documento, o aumento interrompeu a melhora observada após a pandemia de Covid-19 e refletiu uma piora tanto na quantidade quanto na qualidade das vagas disponíveis para os jovens. O evento vai reunir cerca de 1,5 mil vagas de emprego Reprodução A OIT também apontou que a parcela de jovens que não trabalham, não estudam e não estão em cursos de formação profissional aumentou ligeiramente, chegando a 20%. Isso representa mais de 257 milhões de pessoas. "O cenário está piorando praticamente em todo lugar", afirmou o relatório. A taxa de desemprego entre jovens aumentou entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT. O avanço foi registrado tanto em países ricos quanto em economias de renda média e baixa, escreveu a Reuters. Países árabes e norte da África são os mais afetados O maior índice de desemprego entre jovens foi registrado nos Estados Árabes, com 26,2%, seguido pelo norte da África, com 22,6%. Algumas das maiores deteriorações, porém, ocorreram em economias mais ricas. Na América do Norte, a taxa de desemprego entre jovens subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No norte, sul e oeste da Europa, o índice ficou em 15%. A OIT chamou atenção para a redução das vagas que exigem um nível intermediário de qualificação, como funções de escritório e administrativas, vendas e empregos na indústria. Esses trabalhos tradicionalmente funcionam como uma porta de entrada no mercado de trabalho para jovens que acabaram de concluir o ensino médio ou a universidade. A redução dessas oportunidades significa que há mais jovens disputando um número menor de vagas, aumentando o tempo de espera para conseguir emprego e o desemprego entre aqueles com formação de nível médio, segundo o relatório. Inteligência artificial pode aumentar pressão sobre empregos Essa tendência pode se intensificar à medida que a inteligência artificial transforme o ambiente de trabalho, trouxe a Reuters. A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados atualmente por pessoas de 15 a 29 anos estão em áreas particularmente expostas às mudanças provocadas pela IA. Isso significa que são funções nas quais ferramentas de inteligência artificial podem substituir parte das tarefas realizadas hoje por trabalhadores ou mudar significativamente a forma como o trabalho é feito. Eleições 2026: fake news e inteligência artificial desafiam Justiça Eleitoral Se apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados, cerca de 5,6 milhões de jovens trabalhadores poderiam enfrentar desemprego, ter de mudar de carreira ou deixar o mercado de trabalho. A maior parte desse impacto ocorreria em países de alta renda. A OIT ressaltou que ainda há incerteza sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho no longo prazo, mas afirmou que os riscos não devem ser subestimados. Ao mesmo tempo, o número de vagas em áreas que exigem maior qualificação, como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continua crescendo na maioria dos países. Nos países em desenvolvimento, porém, muitos jovens não têm condições financeiras de permanecer desempregados por muito tempo e acabam aceitando trabalhos mais instáveis e sem garantias. Quase nove em cada dez jovens trabalhadores em países de baixa e média-baixa renda estão em empregos informais, segundo a OIT. São trabalhos que, em geral, oferecem menos proteção trabalhista e acesso mais limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.