Canadá: uma história contada através dos esportes

O lacrosse é uma das modalidades mais tradicionais do Canadá e é considerado o esporte nacional de verão do país. Crédito: Pixabay Poucos países no mundo...

Canadá: uma história contada através dos esportes
Canadá: uma história contada através dos esportes (Foto: Reprodução)

O lacrosse é uma das modalidades mais tradicionais do Canadá e é considerado o esporte nacional de verão do país. Crédito: Pixabay Poucos países no mundo têm sua história marcada pelos esportes que praticam, criaram e exportaram para o planeta. O Canadá é um deles. Das pistas de patinação improvisadas em lagos congelados aos modernos estádios que recebem as partidas da Copa do Mundo FIFA 2026, o esporte atravessa a história canadense como fio condutor de sua identidade nacional. Conhecer o Canadá é também entender sua relação com o movimento, a competição e a comunidade que o esporte constrói. Raízes indígenas A contribuição canadense ao esporte começa antes mesmo do surgimento do país. O lacrosse, considerado o esporte nacional de verão do Canadá, tem raízes nos povos das Primeiras Nações e já era praticado séculos antes da chegada dos colonizadores europeus. A modalidade foi documentada pela primeira vez no século XVII e oficialmente reconhecida como esporte de verão pelo Parlamento canadense em 1994, por meio do National Sports of Canada Act. O objetivo é marcar gols na equipe adversária usando uma bola de borracha e um bastão chamado crosse, que possui uma rede na extremidade para carregar, passar e arremessar a bola. As partidas são rápidas, combinando elementos do futebol, hóquei no gelo e basquete. A principal liga profissional de lacrosse é a National Lacrosse League, que reúne equipes do Canadá e dos Estados Unidos. Paixão nacional pelo hóquei No final do século XIX, o Canadá deu ao mundo dois de seus esportes mais populares. O primeiro jogo organizado de hóquei no gelo de que se tem registro aconteceu em Montreal, em 1875, na Victoria Skating Rink. A partir dali o país foi moldando as regras e a estrutura do esporte até transformá-lo no fenômeno global que é hoje. Reconhecido como esporte nacional de inverno pelo Parlamento canadense, o hóquei no gelo está presente nas escolas, nos parques comunitários e nas arenas da NHL, liga que reúne as melhores equipes profissionais do mundo. Para muitas famílias canadenses, aprender a patinar é tão natural quanto aprender a andar de bicicleta. A pista de gelo nas comunidades funciona como ponto de encontro e espaço de convivência. Durante a temporada da NHL, cidades inteiras se transformam em torno de seus times. No hóquei no gelo, poucas histórias recentes mobilizaram tanto os canadenses quanto a trajetória do Edmonton Oilers na temporada 2024-25 da NHL. Liderada pelo astro Connor McDavid, considerado um dos maiores jogadores de sua geração, a equipe voltou a alcançar a final da Stanley Cup pelo segundo ano consecutivo, reacendendo a esperança de encerrar um longo jejum para o país. No entanto, o sonho foi novamente interrompido pelo Florida Panthers, que venceu a série decisiva por 4 a 2 e conquistou seu segundo título consecutivo. Apesar da derrota, a campanha do Oilers teve um significado que ultrapassou os limites esportivos. Em diferentes províncias, torcedores deixaram de lado rivalidades históricas para apoiar a equipe de Alberta na tentativa de trazer de volta ao Canadá o troféu mais tradicional do hóquei mundial. Mais que uma paixão nacional, o hóquei no gelo é uma das contribuições canadenses ao universo esportivo mundial. Crédito: Pixabay O basquete do Toronto Raptors O segundo presente canadense ao mundo veio em 1891, das mãos do educador James Naismith, nascido em Almonte, no estado de Ontário. Trabalhando como instrutor na YMCA International Training School, em Springfield, Massachusetts, Naismith criou o basquete como solução para manter seus alunos ativos durante o inverno. As 13 regras originais que ele redigiu dariam origem a um dos esportes mais praticados do planeta, com bilhões de fãs em todos os continentes. A conquista do título da NBA pelo Toronto Raptors, em 2019, foi um divisor de águas. Pela primeira vez na história, uma franquia fora dos Estados Unidos da América levantou o troféu da liga de basquete mais famosa do mundo, mobilizando torcedores de todas as províncias canadenses. A vitória dos Raptors também representou o reconhecimento de que o Canadá, país de James Naismith, havia finalmente conquistado o esporte que seu cidadão havia inventado. O basquete é mais uma contribuição do Canadá ao mundo e, no país, ele é representado pelo Toronto Raptors. Crédito: The Canadian Press/Darryl Dyck Beisebol do Toronto Blue Jays Outro esporte com raízes profundas no cotidiano canadense é o beisebol. O Toronto Blue Jays é o único time canadense da Major League Baseball e carrega um capítulo especial na memória esportiva do país: as conquistas consecutivas da World Series, em 1992 e 1993, únicas vezes em que uma equipe fora dos Estados Unidos venceu o campeonato. Fundada em 1977, a equipe joga no Rogers Centre, estádio com teto retrátil localizado no centro de Toronto. Nas últimas décadas, tornou-se comum ver torcedores de todas as províncias canadenses apoiando os Blue Jays, especialmente durante campanhas de destaque nos playoffs. Acessibilidade em quadra No campo do esporte adaptado, o país também deixou uma marca importante ao criar o rugby em cadeira de rodas, modalidade que integra o programa dos Jogos Paralímpicos e é praticada em dezenas de países. O esporte surgiu em 1976, na cidade de Winnipeg, na província de Manitoba, quando um grupo de atletas tetraplégicos buscava uma alternativa mais dinâmica ao basquete em cadeira de rodas. A nova modalidade foi desenvolvida para permitir a participação de pessoas com limitações nos membros superiores e inferiores. As disputas são realizadas em quadras cobertas, com equipes de quatro atletas que utilizam cadeiras de rodas especialmente projetadas para suportar choques e movimentos bruscos. O crescimento internacional da modalidade levou à criação de competições mundiais e, em 2000, o rugby em cadeira de rodas foi oficialmente incluído no programa dos Jogos Paralímpicos de Sydney. Desde então, países como Canadá, Estados Unidos, Austrália, Japão e Grã-Bretanha tornaram-se potências da modalidade. O rugby em cadeira de rodas é uma marca importante do Canadá e revela a importância da acessibilidade nos esportes. Crédito: World Wheelchair Rugby Palco do esporte internacional Ao longo das últimas décadas, o Canadá tornou-se um dos destinos preferidos do esporte internacional. Na história olímpica, o país aparece em três momentos marcantes. Montreal sediou os Jogos Olímpicos de Verão em 1976, tornando-se palco para o mundo revelar talentos como a ginasta romena Nadia Comaneci. Em 1988, Calgary recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno, impulsionando o desenvolvimento dos esportes de neve no país e deixando um legado de infraestrutura. Já em 2010, Vancouver e a região de Whistler foram anfitriãs dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, frequentemente apontados como uma das edições mais bem organizadas e emocionantes da história olímpica, inclusive pelo gol de ouro de Sidney Crosby, que deu ao Canadá a medalha de hóquei masculino em solo canadense. Vale lembrar que o país também sediou a Copa do Mundo Feminina FIFA em 2015 e o Mundial Sub-20 masculino em 2007. Toronto ainda sediou os Jogos Pan-Americanos de 2015, considerados um dos maiores eventos multiesportivos já realizados no país, reunindo atletas de toda a América. Nos últimos anos, o futebol ganhou espaço e o crescimento da modalidade foi impulsionado pelo aumento da participação de crianças e jovens em clubes e escolinhas, pelo fortalecimento das ligas profissionais e pela ascensão da seleção nacional masculina e feminina. A conquista do título olímpico pela equipe feminina nos Jogos de Tóquio em 2021 e a classificação da seleção masculina para a Copa do Mundo FIFA 2022, encerrando uma longa espera de 36 anos, ajudaram a popularizar ainda mais o esporte. O futebol vive um momento histórico no país, atraindo novos torcedores, investimentos e consolidando-se como uma das modalidades esportivas de maior crescimento nacional. Em 2026, o país escreve mais um capítulo dessa história. Toronto e Vancouver recebem partidas da Copa do Mundo FIFA, em uma edição histórica organizada conjuntamente com os Estados Unidos e o México, a primeira vez que três nações co-sediam o torneio. O Canadá é palco de 13 das 104 partidas do maior evento esportivo do planeta, incluindo jogos da seleção nacional canadense, que joga pela primeira vez uma Copa do Mundo em casa. Em 2010, Vancouver foi uma das sedes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno. Crédito: Divulgação/ Canadian Olympic Committee Automobilismo mundial Entre as grandes competições do automobilismo mundial, o país integra o calendário da principal categoria da Fórmula 1 há mais de cinco décadas e abriga o Grande Prêmio do Canadá. A prova é disputada no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, que homenageia piloto de mesmo nome, falecido em 1982. Ídolo nacional e eterno piloto da Ferrari, Villeneuve conquistou seis vitórias na Fórmula 1 entre 1977 e 1982. Seu legado foi continuado pelo filho, Jacques Villeneuve, que se tornou o primeiro e único canadense campeão mundial de Fórmula 1, em 1997, pilotando pela Williams. Ao longo dos anos, o Grande Prêmio do Canadá foi palco de momentos históricos da categoria. Foi em Montreal que Lewis Hamilton conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1, em 2007. O circuito também recebeu corridas memoráveis, como a edição de 2011, a mais longa da história da categoria, com mais de quatro horas de duração. Quando o inverno é convite No inverno, os canadenses transformam o frio em oportunidade esportiva quando o esqui alpino, o snowboard, o esqui cross-country, a patinação no gelo, o snowshoeing e o próprio hóquei ganham protagonismo. Destinos como Whistler (Colúmbia Britânica), Banff e Lake Louise (Alberta) e Mont-Tremblant (Quebec) tornaram-se referências internacionais para os esportes de neve, consolidando a reputação do Canadá como uma das principais potências globais dos esportes de inverno. No inverno os canadenses transformam o frio em oportunidade para praticar esportes sobre o gelo e neve. Crédito: Global Tourisme Estilo de vida urbano A prática esportiva está incorporada ao cotidiano e ao planejamento das cidades canadenses, tornando-se um dos pilares da qualidade de vida que faz do país uma referência internacional em bem-estar urbano. Nas principais metrópoles, parques, ciclovias, trilhas urbanas e áreas de lazer foram projetados para incentivar a atividade física, transformando ruas, margens de rios e espaços públicos em academias ao ar livre. Mesmo em grandes centros urbanos, é possível encontrar áreas verdes acessíveis e infraestrutura que favorecem caminhadas, corridas, ciclismo e esportes aquáticos. Em Toronto, mais de 1.500 parques públicos e centenas de quilômetros de trilhas urbanas oferecem opções para corredores, ciclistas e caminhantes. O sistema de áreas verdes conecta bairros, lagos e espaços de convivência. Às margens do Lago Ontário, ciclovias e calçadões recebem milhares de pessoas. Em Vancouver, a proximidade entre oceano e montanhas cria um cenário único para a prática esportiva. É possível começar o dia correndo ou pedalando ao longo do litoral do Pacífico e, poucas horas depois, praticar esqui ou snowboard nas montanhas da região. A capital Ottawa também se destaca pela extensa rede de ciclovias e caminhos multiuso. Durante boa parte do ano, moradores utilizam bicicletas para deslocamentos cotidianos, enquanto parques e áreas ribeirinhas servem de palco para corridas, caminhadas e atividades recreativas. Em Montreal, parques urbanos e ciclovias ajudam a consolidar uma cultura voltada para a mobilidade ativa. Já Calgary se beneficia da proximidade com as Montanhas Rochosas e de uma das maiores redes de trilhas urbanas da América do Norte, que conecta áreas residenciais, parques e zonas de lazer. A prática esportiva faz parte do cotidiano dos canadenses e é um dos pilares da qualidade de vida no país. Crédito: Global Tourisme Esportes aquáticos Com mais de dois milhões de lagos, uma das maiores reservas de água doce do planeta e milhares de quilômetros de litoral banhados pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Ártico, o Canadá transformou seus recursos naturais em palco para algumas das mais importantes competições náuticas do mundo. Ao longo das últimas décadas, cidades canadenses sediaram campeonatos mundiais e eventos internacionais de remo, canoagem de velocidade, canoagem slalom, vela, caiaque e outras modalidades aquáticas. A província de Ontário abriga um dos locais mais tradicionais do remo mundial: o Henley Royal Regatta Course, em St. Catharines, próximo às Cataratas do Niágara. O local já recebeu campeonatos mundiais de remo olímpico e continua sendo uma das principais sedes de competições da modalidade na América do Norte. O país também foi palco de edições do Campeonato Mundial de Remo. Na canoagem e no caiaque, Montreal recebeu provas olímpicas durante os Jogos de 1976 e mantém instalações utilizadas para eventos internacionais. O país também sediou campeonatos mundiais da Federação Internacional de Canoagem. A vela encontra cenário favorável nas regiões costeiras da Colúmbia Britânica, Nova Escócia e Quebec. Regatas internacionais são realizadas regularmente em Vancouver, Victoria e Halifax, aproveitando as condições naturais dos oceanos e das grandes baías canadenses. Mais do que uma vocação competitiva, os esportes aquáticos fazem parte do estilo de vida canadense. Em cidades como Ottawa, Montreal, Toronto e Vancouver, lagos, rios e áreas costeiras são utilizados diariamente para remo, caiaque, canoagem, stand-up paddle e vela. São muitas as opções de esportes aquáticos que se pode praticar no Canadá e já estão incorporados ao estilo de vida dos cidadãos. Crédito: Global Tourisme Histórias que inspiram gerações A grandeza esportiva canadense não se mede apenas em medalhas ou títulos, mas também em cidadãos que registraram grandes feitos nos esportes. Terry Fox é talvez o maior exemplo. Nascido em Winnipeg, Manitoba, e criado na Colúmbia Britânica, Fox teve a perna direita amputada em 1977 após ser diagnosticado com câncer ósseo aos 18 anos. Em abril de 1980, iniciou a Maratona da Esperança, uma tentativa de atravessar o Canadá correndo, da costa leste à costa oeste, para arrecadar recursos para pesquisas contra o câncer. Ele percorreu 5.373 quilômetros em 143 dias antes de ser forçado a parar quando o câncer se espalhou para os pulmões. Morreu em junho de 1981, aos 22 anos. Seu legado continua vivo na Terry Fox Run, realizada anualmente em mais de 60 países. Natural de Burnaby, Colúmbia Britânica, a atacante Christine Sinclair encerrou sua carreira internacional como a maior artilheira da história do futebol (homens e mulheres incluídos) com 190 gols em 331 partidas pela seleção canadense. Em 2021, liderou o Canadá à conquista da medalha de ouro olímpica nos Jogos de Tóquio. Donovan Bailey entrou para a história do atletismo ao conquistar a medalha de ouro nos 100 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Na mesma prova, estabeleceu o então recorde mundial com o tempo de 9s84, tornando-se o homem mais rápido do planeta naquele momento. Naquela Olimpíada, Bailey ainda conquistou o ouro no revezamento 4x100 metros. Clara Hughes é considerada uma das atletas mais versáteis da história olímpica. Nascida em Winnipeg, ela alcançou um feito raro ao conquistar medalhas olímpicas tanto nos Jogos de Verão quanto nos Jogos de Inverno. Inicialmente competindo no ciclismo, conquistou duas medalhas de bronze em Atlanta 1996. Anos depois, migrou para a patinação de velocidade e ampliou sua coleção olímpica com medalhas em Salt Lake City 2002, Turim 2006 e Vancouver 2010. Até hoje, permanece como uma das poucas atletas do mundo a subir ao pódio olímpico em duas estações diferentes. Considerada uma das maiores jogadoras da história do hóquei no gelo, Hayley Wickenheiser liderou a seleção feminina canadense durante mais de duas décadas. Conquistou quatro medalhas de ouro olímpicas e uma de prata, além de diversos títulos mundiais. Sidney Crosby tornou-se o rosto contemporâneo do hóquei canadense. Capitão do Pittsburgh Penguins na NHL, ele acumula títulos da Stanley Cup e prêmios individuais. Pela seleção canadense, Crosby conquistou dois ouros olímpicos. Para muitos torcedores, ele representa a continuidade da tradição canadense no esporte mais popular da nação. Tim Hortons foi uma das maiores lendas do hóquei no gelo canadense e o nome por trás da famosa rede de cafeterias que se tornou um símbolo do país. Nascido em 1930, em Ontário, Tim Horton construiu uma carreira histórica na National Hockey League, atuando como defensor e jogando por equipes como o Toronto Maple Leafs, onde conquistou quatro títulos da Stanley Cup. Reconhecido pela força física, liderança e consistência em campo, foi considerado um dos melhores defensores de sua geração. Seu legado continuou através da rede Tim Hortons, que cresceu de uma pequena loja de donuts em Ontário para uma marca nacional profundamente ligada à cultura canadense. Obra em homenagem a Terry Fox, em Ottawa, retrata o atleta durante a histórica Maratona da Esperança. Crédito: Ottawa Graphics/Pixabay A Air Canada e os Esportes Os esportes fazem parte da identidade da empresa, que é a companhia aérea oficial do Comitê Olímpico Canadense desde 1988 e do Comitê Paralímpico Canadense desde 2007, apoiando atletas de alto rendimento e transportando delegações canadenses para grandes competições internacionais. Além do movimento olímpico, a Air Canada mantém forte ligação com esportes tradicionais do país, como o hóquei no gelo, e também vem ampliando seu apoio a novas modalidades e ao esporte feminino, incluindo a parceria com a Professional Women's Hockey League, reforçando valores como inclusão, diversidade e excelência. Por meio dessas iniciativas, a companhia transforma o esporte em uma plataforma para promover a cultura canadense no mundo e aproximar torcedores, atletas e comunidades. Confira roteiros: CT Operadora Personal Canadá TT Operadora