Baixa cobertura vacinal preocupa em meio à alta de casos de gripe no Rio

Baixa cobertura vacinal preocupa em meio à alta de casos de gripe no Rio Febre alta, tosse, dor no corpo e prostração. Em meio ao aumento dos casos de gripe ...

Baixa cobertura vacinal preocupa em meio à alta de casos de gripe no Rio
Baixa cobertura vacinal preocupa em meio à alta de casos de gripe no Rio (Foto: Reprodução)

Baixa cobertura vacinal preocupa em meio à alta de casos de gripe no Rio Febre alta, tosse, dor no corpo e prostração. Em meio ao aumento dos casos de gripe no Rio de Janeiro, a baixa cobertura vacinal na capital acende um alerta entre especialistas e autoridades de saúde. Mesmo com a campanha de vacinação antecipada neste ano, os índices seguem abaixo da meta, principalmente entre crianças, gestantes e idosos — os grupos mais vulneráveis às complicações da influenza. A campanha de vacinação contra a gripe na cidade do Rio começou em 24 de março, quase dois meses atrás. Ainda assim, a adesão está baixa. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, apenas 20% das crianças de 6 meses a 6 anos foram vacinadas. Entre as gestantes, a cobertura é de 29%. Já entre os idosos, outro grupo prioritário, o índice chegou a 35%. Nos últimos três anos, o município não conseguiu atingir sequer 60% do público-alvo. A meta do Ministério da Saúde é alcançar 90%. A consultora tributária Cristiane Bonaccorsi conta que a filha apresentou sintomas intensos. “Grande desconforto abdominal, febre, dor de cabeça. Ela estava muito prostrada, caidinha”, relata. Em muitas escolas, o avanço rápido da doença chamou a atenção dos pais. A jornalista Ana Cristina Fernandes diz que a gripe se espalhou em poucos dias na turma do filho. “Foi um susto pra gente. Começou com uma criança que testou positivo e, nos dias seguintes, várias foram testando também. Hoje a turma tem 25 crianças e 19 testaram positivo”, afirma. A arquiteta Carolina Pinheiro acredita que a vacinação ajudou a reduzir a gravidade da doença na filha. “Quando a escola ligou dizendo que ela estava com febre, eu já imaginava que era influenza. No dia seguinte, testamos e deu positivo. Ela ficou cinco dias com febre alta, mas foi só isso também. A gente vacinou ela bem no início de abril, então acho que isso ajudou.” Segundo o infectologista Renato Kfouri, embora seja comum haver variações no calendário das doenças respiratórias, ainda não existe uma explicação definitiva para a antecipação dos casos neste ano. “Em geral, climas mais secos e frios aumentam a tendência de transmissão. Este ano, particularmente, não há uma explicação ainda muito conhecida pelos pesquisadores. No fim de março e começo de abril, o Brasil já começou a registrar casos de influenza”, explica o médico. Especialistas reforçam que a vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente o risco de casos graves. “O principal objetivo da vacinação é prevenir complicações, pneumonias, hospitalizações e mortes pela doença”, afirma Renato Kfouri. Segundo ele, a proteção contra a infecção gira em torno de 40% a 50%, mas a eficácia contra formas graves pode chegar a 80% ou 90%, dependendo da faixa etária. O infectologista também rebate um dos principais mitos sobre a vacina da gripe: a ideia de que ela provoca sintomas respiratórios. “Muitas vezes as pessoas se vacinam no meio da temporada do vírus, pegam uma gripe ou outro vírus respiratório e associam isso à vacina. Mas não há possibilidade de a vacina causar sintômas respiratórios. As vacinas utilizadas são feitas com vírus mortos”, explica. Ele acrescenta que os efeitos colaterais costumam ser leves e passageiros. “Dor no local da aplicação, um pouco de febre ou mal-estar podem acontecer, mas duram no máximo 24 a 48 horas.” O último boletim da Fiocruz apontou que o estado do Rio segue em nível de alerta para Síndrome Respiratória Aguda Grave. A médica de família Ana Carolina Barbosa afirma que as unidades de saúde estão preparadas para ampliar o atendimento, caso haja necessidade. “A maior preocupação hoje são as internações dos grupos prioritários. É justamente esse grupo que mais está internando. As unidades de emergência acompanham o aumento dos casos, mas ainda não há preocupação maior. Estamos nos estruturando caso esse número cresça”, diz. Especialistas também afirmam que quanto maior a cobertura vacinal, menor a circulação do vírus e o risco de agravamento dos casos. “O mais impressionante é como esse vírus espalhou. Foi uma onda que pegou os pais de surpresa na escola", diz uma mãe ouvida pelo RJ2.